
Esta pesquisa tem por foco analisar a improvisação no Tap Dance. A investigação brota da vivência do pesquisador enquanto professor e performer dessa linguagem. O estudo tem como fio condutor um questionamento sobre racialidade, articulado a partir do contraste entre a matriz afrodiaspórica da improvisação no Tap e os modos como essa herança tem sido apagada nas práticas de ensino da dança, especialmente quando observados a partir da vivência branca, masculina e sul-brasileira do autor. Com inspiração metodológica de base etnográfica em pesquisas em dança (DANTAS, 2007; WEBER, 2010) a investigação organiza-se em três eixos de pensamento. No primeiro, realiza-se uma revisão bibliográfica que situa a improvisação em Tap Dance no contexto das artes afrodiaspóricas, tendo como conceito articulador as motrizes culturais (LIGIÉRO, 2012) e dialogando com a literatura estadunidense sobre o tema (GOTTSCHILD, 2005, 2016; PETERS, 2011). O segundo eixo propõe uma retrospectiva da experiência do pesquisador, mobilizando o conceito de branquitude como alavanca de deslocamento crítico, a fim de tensionar percepções e formular questionamentos sobre sua prática de campo em improvisação. Por fim, o terceiro eixo analisa uma experiência docente, sintetizando proposições para a prática de improviso em Tap como objetivo de escurecer referências e contornar o apagamento de saberes, histórias e corporeidades negras.


